segunda-feira, 15 de junho de 2009

Escola Virtual

Recentemente foi divulgado pelos media que numa escola do País um aluno transitou com um elevado número de níveis negativos. Foi com alguma perplexidade que registei a inquietação manifestada por alguns comentadores nacionais, face ao sucedido nessa escola.
A situação relatada está profundamnete enraizada no sistema de ensino Português desde a implemetação do mal fadado Despacho 98-A/1992 que tudo permitia em nome de um ensino que não penaliza quem não trabalha, nem responsabiliza os que por obrigação devem velar pela educação dos nossos jovens, não falo dos professores mas dos respectivos encarregados de educação.
Quando um aluno frequenta um determinado ciclo de ensino, tudo é possível para garantir o seu sucesso, mesmo que o discente em nada tenha contribuído para garantir essa qualificação. Por exemplo, as faltas dadas (mesmo as injustificadas pelos mais gravosos actos), são meros actos administrativos que em nada penalizam o aluno e as respectivas famílias. Muitos deles "arrastam-se" indefinidadamente pelas escolas com as mais variadas finalidadas, excepto a de ter de estudar. Estar na escola é ter de estudar, "perder" tempo em tarefas menos prazerosas que enviar SMS, consultar os perfis dos amigos nas redes sociais, copiar filmes ou estar a jogar nas mais variadas consolas. As tarefas educativas são hoje tidas como profundamente aborrecidas e portanto negligenciáveis por alunos e seus educadores. Quem são os encarregados de educação que se responsabilizam pelo acompanhamento das aprendizagens dos seus educandos? Será que os encarregados de educação verificam os cadernos diários e procuram garantir que os seus educandos realizam as tarefas educativas propostas pelos seus professores? e organizar uma metodologia vivencial dos jovens em idade escolar que permita que estes repousem um número de horas compatíveis com a sua idade e respectivas obrigações escolares?
Actualmente a maioria dos alunos de muitas escolas e respectivas famílias em nada respeitam a instituição e os que nela trabalham, sendo a escola mais um local que serve apenas e só de complemento do RSI ou como depósito onde estão os seus educandos. A escola é deste modo um meio extremamente funcional que permite que as existências quotidianas dos encarregados de educação decorram sem grandes sobressaltos.
Mas passemos a um outro aspecto relacionado com a postura atitudinal dos alunos. Se um dado aluno destruir, vandalizar a instituição ou ofender a integridade daqueles que nela trabalham, nada lhe é imputado, uma vez que existe uma desculpabilização legislativa do jovem face aos mais gravosos actos. Esta visão profundamente desculpabilizadora dos nossos jovens está profundamente enraizada no ADN do nosso sistema educativo, que foi sendo sucessivamente modelado pelos vários políticos e governos que estiveram à frente das políticas educativas do nosso País. Quando se invocam modelos de sistemas de ensino profundamente funcionais de alguns países europeus, esquece-se ou é omitido, que nesses países as respectivas famílias, escola, e outras instituições que orbitam à sua volta são efectivamente parceiros no processo educativo. Se um aluno mantiver certo tipo de postura face à escola e aos actores que nela desempenham os mais variados papeis, tais actos implicam consequências, nomeadamente severas sanções, quer para o aluno quer para as respectivas famílias.
O grau de exigência da escola pública atingiu mínimos históricos, a motivação dos profissionais que nela trabalham entrou há muito tempo num profundo declínio que não mostra sinais de inversão. As gestões das escolas estão cada vez mais ligadas à tutela e caminham num sentido de aceitação passiva das políticas educativas estéreis dos sucessivos governos que se limitam a garantir a qualquer custo, que as estatatísticas educativas lhes são favoráveis.
Com eleições legislativas a breve prazo, não vi ainda qualquer partido a apresentar propostas/soluções para inverter um processo de destruição da escola pública há muitos anos iniciado em nome de uma escola que cria igualdade e dá as mesmas oportunidades a quem a frequenta. Esta falsa escola igualitária não pode competir com a multiplicidade de estabelecimentos privados em que a regra é a homegeneidade de quem a frequenta e cuja finalidade dos seus alunos é o trabalho e o esforço para alcançar o sucesso no futuro cada vez mais rodeado de incertezas. As regras impostas a quem frequenta o ensino privado, faz toda a diferença em relação à escola pública. Falo em regras para não usar o termo disciplina, uma vez que face ao nosso percurso de regime totalitário do passado, a palavra tem ainda uma forte conotação negativa, que certa esquerda bolorenta e saudosista de um passado revolucionário, tão orgulhamente contesta para o nosso sistema de ensino. Uma escola sem regras e sem disciplina é um barco à deriva que só com muita sorte conseguirá atingir bom porto.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AC/DC em Lisboa - 3/06/2009

Desde há longa data que acompanho a carreira destes autralianos, liderados pelos irmãos Young (Angus e Malcolm). Depois de ter falhado o concerto que a banda deu em 1996 em Portugal, prometi a mim mesmo que se fosse vivo não perderia um próximo concerto do grupo em terras lusas.
O momento aconteceu no dia 3/06/2009 no estádio de Alvalade. Integrado na Black Ice Tour o concerto foi desde o início até ao fim algo de inesquecível. Desde as 21.40 h quando abriram as hostilidades com o mais recente hit Rock N' Roll Train retirado do último disco de originais Black Ice, até ao terminus do concerto com For Those About To Rock, tudo foi perfeito. O que aconteceu em Alvalade, era bom que muitos grupos emergentes vissem um dos concertos da banda, foi a prova de quando o Rock é praticado por aqueles que são transparentes e honestos na forma como estão na música, não há lugar para a desilusão. A entrega e o suor dispendido por todos os elementos naquele palco justificou plenamente o dinheiro dado pelo bilhete.
O concerto percorreu todos os discos mais emblemáticos do grupo (High Voltage, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Let There Be Rock, Highway To Hell, Back In Black, For Those About To Rock, The Razors Edge e o último Black Ice) com destaque para os dois discos mais emblemáticos da banda Let There Be Rock e Back In Black de cujos albuns a banda tocou quatro temas. Deixo aqui apenas um pequeno lamento, o album Powerage merecia que pelo menos uma das suas faixas fosse tocada ao vivo em Lisboa, nomeadamente a Sin City.
Naquela noite electrizante o compêndio AC/DC foi exibido, se para uns foi o relembrar de todo o passado da banda, para outros uma introdução ao universo angusiano. Viu-se o Duck Walk inspirado em Chuck Berry (a única cover gravada até hoje pela banda foi a música School Days do músico americano), o uniforme colegial, o strip habitual em The Jack mas hoje só com direito à exibição umas boxers com o logótipo da banda (quem estiver interessado em mais alguma coisa, pode visionar o filme Let The Be Rock), os cornichos da fase Highway To Hell e a épica despedida com salvas de canhão que deixaram no ar um intenso cheiro a enxofre provando que o diabo andou à solta pelos lados de Alvalade. Associado a toda esta parte visual e iconográfica da banda temos a música do grupo sempre recheada de riffs electrizantes, solos virtuosos de Angus Young com destaque para o sempre sublime e sempre esperado Let There Be Rock e o grasnar hard e rouco de Brian Johnson em oposição a um passado mais blues de Bon Scott.
Hail, Hail rock 'n' roll, Long live rock 'n' roll, dizia Chuck Berry em School Days, será chegado o momento de reformular para Hail, Hail AC/DC, Long live Angus Young.


Set List do concerto de Lisboa de 3/06/2009 no Alvalade XXI: Rock 'n' Roll Train (de Black Ice); Hell Ain't A Bad Place To Be (de Let The Be Rock); Back In Black (de Back In Black); Big Jack (de Black Ice); Dirty Deeds Done Dirt Cheap (de Dirty Deeds Done Dirt Cheap); Shot Down In Flames (de HighWay To Hell); Thunderstruck (de The Razors Edge); Black Ice (de Black Ice); The Jack (de High Voltage); Hells Bells (de Back In Black); Shoot To Thrill (de Back In Black); War Machine (de Black Ice); Dog Eat Dog (de Let The Be Rock); Anything Goes (de Black Ice); You Shook Me All Night Long (de Back In Black); TNT (de High Voltage); Whole Lotta Rosie (de Let The Be Rock); Let The Be Rock (de Let The Be Rock); HighWay To Hell (de HighWay To Hell); For Those About To Rock (de For Those About To Rock)

sábado, 11 de abril de 2009

Fenómenos biológicos


Um olhar furtivo pela manhã, para onde geralmente nunca arriscamos direccionar os nossos olhos, e subitamente no bordo de uma folha de roseira, pequenas gotículas de água a bordejarem o órgão foliar .

Perfeito!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Início

Este Blogue que agora inicio é um desafio que coloquei a mim próprio. Na minha cabeça comparo-o a um caminho que será construído passo a passo de acordo com os desafios que permanentemente a vida me irá colocando.
Os temas que poderão ser objecto de análise podem ir desde o simples comentário a uma dada situação quotidiana, até às temáticas relacionadas com a minha vida profissional. No entanto, outros assuntos que me tocam em especial podem ser comentados neste canal comunicacional.
Oxalá consiga construir algo gratificante, quer do ponto de vista individual, quer colectivo.

J. M.